Acordei de manhã. Eram 10 horas e os pássaros chilreavam alegremente: Periu piu piu. Utilizando as palavras de uma pesssoa que me é muito querida: "Isto é que é vida", pensei eu. Enquanto me virava na cama, saboreando a frescura dos lençóis "piu belle", entra o meu marido em pânico, braços no ar, aos gritos: " A Nala desapareceu, a Nala fugiu". (Nala é a minha cadela Alaskan-malamute arraçada de algo que lhe deu um charme fantástico, principalmente devido à barbicha sexy que tem no focinho).
Here we go! Visto umas calças, calço as sapatilhas e corro "como se não houvesse amanhã". Olho para a selva assustadora à minha frente! Já ouvi histórias de pessoas que desapareceram naquela mesma selva, algumas foram atacadas por cobras e crocodilos (ao mesmo tempo). Começo a descer a montanha, as plantas carnívoras rasgam-me a pele. Uma naja tenta atacar-me, mas devido ao meu treino ninja consigo escapulir-me. Continuo o meu percurso e chego a uma zona pantanosa. Todos os poros do meu corpo sentem o perigo à espreita. Vejo algo a mover-se na água mas não consigo perceber o que é. De repente, eleva-se uma anaconda e procura envolver-me num abraço mortal. Luto para sobreviver. Ela derruba-me e começa a tentar estrangular-me. Estou quase sem forças. Tento agarrar algo com que me possa defender. Nada. Não há um único objecto. "Já fui", penso eu. Subitamente a anaconda decide largar-me. Demoro ainda alguns minutos a restabelecer-me e decido nem pensar sobre o que fez a anaconda abandonar um pedaço de carne tão saboroso (sim, estou a falar de mim própria). Recupero o fôlego e preparo-me para prosseguir o trajecto que julgo que a cadela poderá ter percorrido. Avanço um pouco e tenho um muro enorme para ultrapassar. Para a minha excelente condição física, este muro não é obstáculo. Continuo a correr e procuro pegadas da Nala. Apesar de não haver pegadas, fico preocupada porque verifico que no chão estão inúmeros cartuchos de balas. Por precaução, escondo-me atrás de uma moita e observo. Cerca de 10 segundos depois aparecem oito mafiosos sul-americanos que patrulham a área atentamente. Não percebo o que dizem até que um deles grita " lió caminió istiá libriê!" Eles avançam decididos até um lago que ficava a 20 metros do meu esconderijo e nem pude acreditar no que os meus olhos estavam a ver. Eles "sacam" da roupa e põem-se a "brincar" uns com os outros, cantando animadamente " es divertido quedar no YMCA".
Aproveito este momento para fugir e começo a desesperar pois, não só não encontro a cadela, como também começo a pensar que será complicado sair daquela selva. Contudo, nem pude acreditar quando, por acaso, fui dar a um caminho de terra que me levou até à estrada. Feliz por ter saído daquele horror, mas triste por não ter encontrado a Nala. Chego a casa. Estava a sangrar bastante devido às plantas carnívoras, os meus olhos quase sem conseguirem segurar as lágrimas que teimavam em sair. Olho com tristeza para a sua trela e aparece o meu marido: "Olha, afinal a Nala veio ter a casa. Já chegou há mais de meia-hora! E tu? Por onde andaste?"...